Fui com frequencia alemao ou britanico, fui com rigor patriotico frances e polaco, por um par de vezes escandinavo, jamais tinha sido russo
Domingo, 12 de Julho de 2009
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
bom selvagem: do iguaçu à corte de versailles (2)
Tan grande era mi amor a la verdad que no hubiese dudado en dar ese detalle aun a sabiendas de que era falso
Ha dois tipos de moralistas: o calvinista e o aristotelico. Enquanto o primeiro grupo considera que os seres humanos se salvam ou se condenam, sao elegidos ou rejeitados, virtuosos ou viciosos, os do segundo perseguem explicaçoes - a definiçao nao é minha - de um tipo mais dellicado: diferem cada um por grau e nao por genero, escalonam nao so a respeito de um tributo generico por um dia do mes senao um espectro dos atributos de cada dia do mes. Mas a grande diferença é civilizacional, os membros do primeiro grupo esperam que o zelo revele a novidade como uma bussola do vicio e da virtude, como um fresco de giotto: um mundo fixo e atemporal
Ha dois tipos de moralistas: o calvinista e o aristotelico. Enquanto o primeiro grupo considera que os seres humanos se salvam ou se condenam, sao elegidos ou rejeitados, virtuosos ou viciosos, os do segundo perseguem explicaçoes - a definiçao nao é minha - de um tipo mais dellicado: diferem cada um por grau e nao por genero, escalonam nao so a respeito de um tributo generico por um dia do mes senao um espectro dos atributos de cada dia do mes. Mas a grande diferença é civilizacional, os membros do primeiro grupo esperam que o zelo revele a novidade como uma bussola do vicio e da virtude, como um fresco de giotto: um mundo fixo e atemporal
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
bom selvagem: do iguaçu à corte de versailles
Compro ensaio sobre proust que faz notar - e bem - de duvida que nao é duvida, se o eu é uno ou multiplo e a mais, da verosimilitud, para reunir-los en su retrato de un supuesto individuo unico, santo y canalla, aguila y paloma, mentiroso y ejemplar narrador de la verdad. Isto nao é beckett ou mishima a quem as personagens ja nem a morte lhes presta, menos o marmeladov de dostoevsky que conta infame a partir do oprobrio: porque todo hombre necesita tener algun sitio a donde ir - mas parece toda uma astmosfera rarefeita e fina depois de descer pela ladeira
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
venias, venias, venias
Cuando el profesor phocus escribio eruditas cartas en los periodicos con la mitad del alfabeto detras de su nombre, nadie quiso admitir que nunca habia oido hablar del famoso profesor phocus. Cuando sebastian dijo que era el poeta mas grande de la europa moderna, todos sintieron que ellos debian saberlo. Y si consiguen tres o cuatro hombres de esta clase en nuestros dias, ya esta hecho todo. Nunca hubo un tiempo en la historia en que lo poco contase como tanto, y lo mucho por tan poco. Cuando los periodicos dicen: "la opinion de europa ha aceptado ya la teoria de gollywog", quieren decir que unos cuantos profesores en alemania la han aceptado.
Chesterton
Chesterton
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
comprometidos (2)
Recordo-me do ladrao com disciplina literaria de Chesterton e liçao vã: Nascemos comprometidos e aquilo que fazemos nao fica só aqui, segue-nos incluso mais ala da morte.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
comprometidos
Começo em Garcia Marquez, chego a Mitterrand, acabo em Pompidou, escreveu mal ou bem o segundo sobre o terceiro: tiene la ambicion mas alta que su poltrona. A frase parece me bem achada ainda que formalmente injusta e gramaticalmente incorrecta - preterito imperfeito, preterito imperfeito Mitterrand - legitimo esforço, esse de nao acabar esquecido antes de cair na sepultura.
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Classes
A Olivia la fascinaba que fuese hijo de un carnicero[...] para ella yo figuraba en la categoria del hijo del encantador de serpientes o del artista de circo criado en la carpa circense.
Roth
Podemos ignora-las mas inapelavelmente elas estao la, pouco importa a representaçao que se faz dela ou se sao cooptadas. Tarde ou cedo ela lembra nos que tudo neste mundo tem uma ordem e a cada qual um lugar
Roth
Podemos ignora-las mas inapelavelmente elas estao la, pouco importa a representaçao que se faz dela ou se sao cooptadas. Tarde ou cedo ela lembra nos que tudo neste mundo tem uma ordem e a cada qual um lugar
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Guilhotina
Isto é a prova que nada mais contribui para o progresso que um rumor a guilhotina, mas hoje, 35 anos volvidos, milagre de iconoclasta e, pois eis o que nos resta: exibir as fuças na tv, em horario nobre se o bom deus assim o quer, e claro está, homofilia como epopeia colectiva - levar patrioticamente no rabo, desconfiam eles, para realizar o quinto imperio. Nada contra a luta pela decencia humana - essa luta solitaria de um contra todos e onde naturalmente se encontra a derrota. O que eu lamento é esta farsa que nos lastra a todos, mas sou apenas um homem de gostos simples e tomado por uma suspeita e um paradoxo. O povoleu é calmo e sereno, e provavelmente estupido. Fora ele dono de uma unica qualidade, credor de alguma virtude, uma meia-virtude, uma daquelas inclinaçoes pela quais os povos perdem a cabeça e é necessario reescrever toda a historia, e eis os Belmiros e os Louças, os Duroes e os Vasconcelos, todos em fila indiana e a uivar protestos e calunias contra o engenho françes. Mas isso nao é um povo, é uma claque, estala de indignaçao mas de bandeirinha na mao e do estadio para dentro. Morrerao todos analfabetos. É bem feita
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Chesterton III
Los hombres de ciencia son muy superiores y no admiten nada legendario acerca de esos asuntos. Usted no cree en el jardin del eden. Usted no cree en adan y eva. Y, sobre todo, usted no cree en el arbol del bien y del mal
Domingo, 14 de Junho de 2009
Julio Cesar
Thornton Wilder atribui uma frase a julio cesar e nada define melhor a natureza humana do emperador: yo, que gobierno tantos hombres, soy gobernado por pajaros y truenos. Nós que nao governamos homens somos tao responsaveis pelo nosso destino como passaros e relampagos. O legado da modernidade é um cesar deus, o emperador no ceu - que governa passaros e relampagos. Isto tudo, nao duvidem, como uma carta de restaurante. Chamam-lhe livre arbitrio
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Filhadaputice
Fijese en lo que le digo, messner: el mundo espera, relamiendose, para llevarse a su chico
roth
O mundo é dos filhos da puta. Havera panaceia que nos abstraia de tao razoavel aforismo? o denso fumo nao chega para tanto
roth
O mundo é dos filhos da puta. Havera panaceia que nos abstraia de tao razoavel aforismo? o denso fumo nao chega para tanto
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Chesterton II
Y es una situacion peligrosa para la prensa y para el publico cuando solamente los embusteros dicen la verdad
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Um novo caminho. Um novo partido. Um novo Portugal
Nao tendo representaçao politica e depois de reflectir portugal - reflexao funda, um raio x da contemporaneidade - calculo, com seriedade e pendor institucionalista, cara adusta e atitude de estadista, formar partido politico. Os dias andam tristes e nao equaciono a a afluencia das massas mas ja ha ideia firme e calejada por estudos internacionais, ideia que avanço com o sentido do tempo - eleitorado fragil, desiludido. Se kennedy via a subida aos ceus como via estrategica eu creio fundamental a descida aos oceanos. Peço uma legislatura e a ira do olimpo, e garanto, como garanto que hades é o que vos espera, um portugal - portugueses e portuguesas - na fossa das marianas. Se a europa é o retrocesso - crises varias, gente civilizada, europeus - descer o declive do oceano é o caminho do progresso
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
nem no velho testamento
Isto é tudo uma barbaridade e sao poucas as coisas que nos impedem deslizar pelo precipicio abaixo. Saber isto tudo uma fantochada nao garante conforto nem ilusao, mas devia, mas devia. Para desempenhar isto que chamam vida, esta abjecçao que nos cai no regaço com os respeitaveis cumprimentos da mae natureza e o pai marx, basta fazer como o jlestakov do gogol: sinceridade e simpleza. E se isso nao vos chega - oh ingratos que nasceram para servir esta malta de categoria - tomem nota , atentai, tanto chesterton ou conrad, kafka ou proust jamais se assomaram aos nobelizaveis corredores de estocolmo, uma calamidade destas nem no velho testamento
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Forest Gump
Ha um momento em que forest corre como um asceta, de lés a lés, de costa a costa, assim correr como parabola da vida, desta vida de merda. Com ele segue uma multidao de peregrinos, uma multidao convencida que chega a terra prometida a praticar jogging. Uma multidao sem destino, forest como lider, outra parabola. As estaçoes passam e tudo como começou acaba - altura de correr outros caminhos, saciar outros afectos, porque sim, porque lhe apetece, espera lhe evidentemente a gloria dos predestinados.
O zaratustra de nietzsche renega os discipulos por celeuma aristocratica, forest é pior, nao lhes liga nenhuma. Eles pedem lhe uma sabia palavra, uma causa, uma profecia, ele consulta o relogio e acha que é altura de vender camarao
O zaratustra de nietzsche renega os discipulos por celeuma aristocratica, forest é pior, nao lhes liga nenhuma. Eles pedem lhe uma sabia palavra, uma causa, uma profecia, ele consulta o relogio e acha que é altura de vender camarao
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Gabriel Garcia Marquez
Los escritores de America Latina y el Caribe tenemos que reconocer, con la mano en el corazon, que la realidad es mejor escritor que nosotros mismos. Nuestro destino, y tal vez nuestra gloria, es tratar de imitarla con humildad, y lo mejor que nos sea posible.
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Camarilla
Escrever como Isaiah Berlin falava às massas e Foucault destroçava livros tem sido um fracasso, e um fracasso é um fracasso, uma chaga para nos lembrar o lugar, um sismo escala nove que não deixa nada como antes. Há quem nasça para isto e há os que vêm ao mundo para se babarem no jardim publico. Somos pó dos modernos e vivemos de experiências ambíguas, em que a vida joga-se toda deste lado e nada do outro, que mais dizer, isto é uma coisa terrível e de carpir magoas em cada post, e como Brecht e Judas Iscariotes acabamos a insultar a criação e um insulto à criação – já se sabe – não apanha distraído nem a Deus nem ao site-meter, que isto de fazer pouco das leis do universo, pedantismo em larga escala e name-dropping é para levar com o pau cósmico da criação todos os dias, mas este não é o motivo que me move a escrever, o que eu quero saber, e que me desunho para descobrir, o que eu me pelo por conhecer, é se posso fazer o recenseamento aqui em Espanha. Não o fiz em Portugal, jamais votei na minha vida, e, vaya, estoy lleno de ganas para me desvirginar numa dessas urnas que abundam por aqui, enterrar o papelinho e entregar o meu cobiçado apoio a uma dessas camarilhas onde a escumalha se esconde
Como explicar às massas
O primeiro ano a pagar impostos. Uma aleivosia. Nao ha chesterton que nos salve
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
quatro paredes
Platon Karataiev
Cada vez estou mais convencido de viver numa sociedade tolstoiana e só os mossos d’esquadra me impedem de romper as pernas a um ou outro blogger. Estou certo e seguro por quimera literária personificar platon karataiev, ainda que sem cão nem aforismos populares, mas de lista negra à trela – uma listazinha com nomes ordenados por ordem alfabética e generosamente acompanhados de medonhas sevicias
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Justiça
Fosse o gosto estético matéria de escrutinio nas urnas ou de justiça popular seria unânime, uma maioria absoluta para que não haja equívocos: o lugar de um qualquer solzhenitsyn é mesmo a partir pedra
Desenvolvimento
Esse pais converteu-se todo ele em classe media-baixa por decreto e à força de betão, já tem asfalto e banda larga mas continua tão analfabeto como há 50 anos. O país sabe ler e escrever – ninguém o para em sms’s – mas para efeitos estatísticos e plantar cara nos areopagos internacionais
Uma metáfora do nosso desenvolvimento
Uma metáfora do nosso desenvolvimento
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Do egoismo II
Ha muito que este blog caiu na abjecçao, e como as coisas andam, de mal a pior, aquilo que o alimentou corre o risco de seguir caminho igual. Isto seria uma sandice inocua nao fosse eu, alma sensivel, adivinhar espectaculo tenebroso da livralhada em rumaria para lixeira municipal. Isto é de partir o coração ver as chamas a devorarem com igual desfaçatez um Paulo Coelho – tinha 17 anos – e um Bergson
Do egoismo I
Hesse diz que os espinhos da vida sao relativos e a medida justa de cada homem mas como principio orientativo nao serve para nada, porque ninguem toma como padrao a miseria dos outros. O suicidio para alem das maleitas escritas em pedra - porque nao acaba numa perda de identidade, nem na angustia, nem no culminar de um desaire - é todo um idealismo, um desvio a posteriori e uma declaraçao umbiguista, uma tragedia com codigos proprios e que cobra sentido na cabeça de quem o articula. Stendhal ilustra-o como o copo de agua gelada ministrado a um desgraçado que morre de calor e sede no deserto, uma alegoria que nao satisfaz para o alivio que traz a morte e a luta entre dois fins indesejaveis. O alivio é desejado mas nao aquilo que o acompanha. Mas ela é igualmente feita de uma narrativa posterior, o suicida nao morre com a morte clinica e prossegue findado o diluvio naquilo que fez e deixou, e portanto, a luta desenrola-se entre um presente inexequivel e um futuro em que se esta ausente para o tornar exequivel seja o que for. É o equilibrio inutil entre a suspensao do egoismo e o sacrificio. Uma guerra sem redençao nem quartel
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Mea Culpa
Ha criaturas assim, nao mais do que um conceito e uma caricatura. Uma menoridade voluntaria e solipsista como testemunho do regabofe dos ceus do nosso azar. Nao é sem pejo que declaro a minha culpa e com satisfaçao o seu fim ja aqui antes de por um ponto final. Aquela frase de Stendhal sobre a implacavel vantagem da nobreza face a plebe - que aplacados pela fortuna dispensariam a todo momento ajuizar sobre a sua subsistencia - temo bem a mais das vezes não fazer sentido. Vede atentamente oh canalha sem titulo heraldico
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
a tirania da opiniao III
E afinal o que significa isto? Oiço a voz tonitruante e resignada da consciencia. Muito justamente resignada que a mais das vezes as perguntas não tem respostas mas servem o torpe proposito de enganar as circunstancias. Não se trata de pudor moral, mas de pudor estetico. Instinto de sobrevivencia. Prossigo. A historia é a mais terrivel invenção, obra como uma divindade e roi a vontade humana, diz Mishima - e quem sou eu para contrariar o mestre. Esse buliçoso retrato da condição humana é o eterno retorno de Nietzsche, ha factos irreversiveis e imutaveis e que mais importa reafirmar que o homem é o homem e a sua circunstancia? Uns despejam alcatrao outros escrevem estrofes. Ha privilegios de classe e ha certezas inatacaveis. E o resto? O resto serve para não afundar nessa crueldade a que a canalha chama realidade
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