sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Notas (6)
A ideia de representar o todo, a totalidade humana, a estupidez, que como recorda Vargas Llosa eram sinónimos para Flaubert, é uma empresa condenada ao fracasso. É um tema frustrante, que se pode acrescentar sobre o genero humano, como ir mais alem e ainda mais longe sem descrever elipses sobre elipses e assumir uma distancia irónica, e para quê a ironia e o enfado quando bastam por si as paredes de uma casa.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Notas (5)
Não haverá paz para os malditos, diz a periodista, um erro não intencional. Não haverá paz para os malvados sera uma declaração moral, virtuosa e improvavel, que não haja paz para os malditos revela prudência e sensatez
domingo, 15 de janeiro de 2012
Lisbon
A third world-like, vem escrito na guia, as imagens que captam as camaras reflex alimentam o ciclo, a pobreza é mais ou menos evidente, um neo-realismo que interessa ao turista por estar desajustado ao seu tempo, se sente superior e o subdesenvolvimento pode ser comovente como uma rara planta que não prospera no seu mundo, foi objectivo tornar o pais moderno e rico, parece que queriam ser europeus, houve uma serie de avanços, modernizou-se, ainda que uma modernidade de lantejoulas e cimento, um critério estetico e sentimental mas economicamente sem frutos, como mostram as fachadas em abandono, as naturezas mortas em ruina onde o saneamento estetico não chega, não me interessa a leitura politica. O turista acaba por ver o lado negativo, a velha cidade decadente, a desorganização publica, a desordem urbana, o bem comum que é um santuario de augustas trevas, tal como o medo, a estupidez está para o individuo está o subdesenvolvimento como condição colectiva, uma forma de exigência formal que alinha comportamentos, cria codigos, autojustifica-se, e demonstra uma certa ausência de pudor. Há cerca de vinte anos Portugal comparava-se com Espanha e Grecia hoje a companhia é menos honrosa, a dignidade pátria costuma andar nas listas da ocde ombro a ombro com o Mexico e a Turquia, 40 anos de democracia foram incapazes de civilizar o curral, um pais de aventais para melhor servir laranjadas e tropicalismo
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Notas (4)
Não defendo uma posição cínica nem é essa a posição no ensaio que a meio se apoia no caso Dreyfus para chegar a um ponto que me permite enredar por outro caminho. Um general se coloca do lado da vitima inocente e organiza um comité de dreyfusistas, união pela justiça e sugere adoptar mais modestamente, união pela verdade, "se pode duvidar do que é justo, mas não do que é verdadeiro" diz o general. Também albergo duvidas sobre o que é justo mas poucas sobre o sentido de justiça comum e a fronteira normativa da maioria, um aglomerado de corcundas morais que fazem pagar caro testemunhos mais que oculares e convertem uma qualquer verdade numa qualquer alucinação
Notas (3)

Releio as cartas desde las antipodas, há um ensaio que me segue desde que o li em julho, o ensaio fez parte de uma conferencia que tinha como tema a verdade, não as costuras internas, que não importam em si, mas a representação, e o ponto central que desempenha a imaginação, nada de confusões, a imaginação encontra-se no plano da poesia, fonte primordial, não basta o acontecimento, testemunhos, a marcha das nações, traições, deslealdade, a inveja. A realidade é a realidade, a verdade é outro assunto.
Notas (2)
Em 2011 terminei três cadernos, irrelevantes e peripatéticos - como só pode ser a marginalidade - um "deve e haver" caótico, sem forma externa e no entanto que se mantém unido como se estivera cosido interiormente
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Urtain

A vida de Urtain deu origem em 2008 a uma obra de teatro, a peça é rodada em um ringue onde o género humano cai ao primeiro gongo. Urtain não foi apenas o homem que conhecera a Franco, que fez uma fotografia com Franco, que fora campeão europeu, uma fortaleza fisica. Fora de combate foi um rafeiro à deriva, figura circense nos baixos fundos de uma cidade infernal, animador de luta livre, porteiro, uma luta constante contra o que não tem emenda, tentou os negócios mas como diz uma personagem não foi feito para os negócios As suas aparições televisivas suscitavam piedade e alimentam os piores instintos, o escárnio publico. O ringue é um reflexo palido, ali não circula uma gota de ar, não há bondade e onde não há bondade não há humanidade, apenas o desconforto de uma verdade previa. Urtain acabou por sucumbir e atirou-se ao vazio de um decimo andar de Madrid
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Nada
Para-raios de deus como diz Ruben Dario, antítese da ordem, o trabalho e a moral, a vida esmagada contra qual os jovens casais murmuram, entendo o gozo estético, claro, tambem sou feito de identica materia que espera a aniquilação, anima-me a linguagem musical, frente ao pessimismo do tempo e os seus descalabros proporciona uma visão optimista, uma parcela de liberdade
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Deus ex machina
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
doomsday clock II
The Economist, with its cover of a euro coming down in flames, asks 'Is this really the end? and answers that, basically, yes it is. A senior minister explained to me a few days ago that contingency planning is now well under way, and takes in both preparations at home for a shock on the banks and work with consulates and embassies abroad, specifically in the eurozone, to anticipate social and banking disruption when it all goes wrong. The betting in Team Dave seems to be that the game is as good as up for the single currency. "It's in our interests that they keep playing for time because that gives us more time to prepare," the minister told me. Anyone who has any kind of exposure to the euro – a euro mortgage for example, or a euro account, or euro contracts – should be taking advice now on how to mitigate the risk.
Contingency planning is in progress throughout Europe. From the UK Treasury on Whitehall to the architectural monstrosity of the Bundesbank in Frankfurt, everyone is desperately trying to figure out precisely how bad the consequences might be. What they are preparing for is the biggest mass default in history. There's no orderly way of doing this. European finance and trade is too far integrated to allow for an easy unwinding of contracts. It's going to be anarchy.
Contingency planning is in progress throughout Europe. From the UK Treasury on Whitehall to the architectural monstrosity of the Bundesbank in Frankfurt, everyone is desperately trying to figure out precisely how bad the consequences might be. What they are preparing for is the biggest mass default in history. There's no orderly way of doing this. European finance and trade is too far integrated to allow for an easy unwinding of contracts. It's going to be anarchy.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
sobre a primeira lei de Newton
Uma partícula livre é aquela que não esta sujeita a nenhuma interacção. Rigorosamente falando, não existe tal coisa, porque toda partícula esta sujeita a interacções com as demais partículas do universo. Na prática, entretanto, há algumas partículas que podem ser consideradas livres ou porque estão suficientemente afastadas umas das outras e as suas interacções são desprezíveis, ou porque as interacções com outras partículas se anulam produzindo uma interacção nula.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
II
Se han aliado con la vaca, pero la vaca no se da por aludida. La vaca y el mono, los dos animales sagrados más insolentes. Hay vacas en Calcuta por todos lados. Cruzan las calles, se atraviesan en una vereda y la hacen intransitable; defecan ante el automóvil del Virrey, examinan las tiendas, amenazan el ascensor, se instalan en el descanso de la escalera, y si el hindú fuera comible ya se lo habrían comido. En su indiferencia por el mundo externo,también es superior al hindú. Visiblemente, no busca explicaciones, ni verdades en el mundo externo. Maya, todo eso. Maya, este mundo. Eso no cuenta. Y para comer un simple puñado de hierba, necesitan más de siete horas para meditarlo. Michaux
terça-feira, 20 de setembro de 2011
I
Longe da impostura. O lirismo é o adequado. Incapaz de integrar a lógica e a linguagem da maioria, ao fim ao cabo, como diz a biografia, elementos essenciais à experiencia humana. Como Vila-Matas prefiro o estilo sobre a trama mas obviamente isso são questões menores
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
estatua em vida
É um moralista, um activista moral de uma moral inversa, escreveu que escrevia para o inumerável povo dos mortos. Foi rechaçado e condenado, é pacifico, um martir, uma atmosfera dificil de reproduzir em laboratorio ou em carnavais de marginalidade. Tranformaram-lhe em estatua em vida, lamentou-se.São Genet chamou-lhe Sartre
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Agosto (3)
Vejo na televisão um cão a roer as barras de ferro da sua jaula. Uma paisagem impressionista do extremo-oriente (Vietname), um momento ahistorico, um momento wordsworthiano cujas cores servirão outras campanhas. Um cão a roer as paredes da sua jaula. Um cão com consciência das paredes que o separam da liberdade. Uma consciência apurada. Não é o teu caso, não é o nosso caso.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Agosto (2)
Alinha observações vitais e seguras sem tomar em consideração a mais universal de todas: as diferenças que nos separam são mínimas, mas são essas que realmente importam. Não é só chamas e febre. Espiamos e vigiamos, e isso é quase tudo.
Agosto
O texto nem sempre é agudo, não é de primeira linha, a América não é a América de Mailer, Kerouac, Bukowski, Capote, Carver, Salinger, ou Roth, Roth dos primeiros anos, mas proporciona uma irrebatível insinuação de tragédia patética numa corrente tarde de verão. Uma tragédia à portuguesa, a rua principal a caminho de cheehaw podia estar no interior alentejano, a caminho de Serpa e quem escreve (parece, e parece muito) escreve não sobre o que possui mas sobre o que carece. Um defeito português
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Hoje
Cedo o passado as chamas e espanto os vendilhoes do templo. Um gesto antipatico, cruel, moral e onirico.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
fear to tread
Simpatizo com quem fez da razao sistema, neutrais quando o código assim o pede, é gente cerebral, pensam que encontraram a tábua de valores universal, a pauta kantiana, e desconfiam na ausência de compromisso, vêem, crêem eles, a partir das cimas da montanha, e terminamos algumas vezes no fundo do vale
domingo, 14 de agosto de 2011
spleen (6)
Faço zapping e quando em vez cruzo-me com programas de wrestling, lucha libre, tanto a versao anglo-americana e a latino-americana. Caras de seriedades, de desafio, sabemos que nada daquilo é genuino, nós sabemos, e quem compra o bilhete sabe, mas precisamos de fingir que caras de seriedade, de desafio sao caras de seriedade, de desafio. Desde de Nietzsche está escrito que o que conta sao as aparencias e que nao há espectaculo sem espectaculo
spleen (5)
Gente sem causa, familia, ou vidas claras, gosto do ambiente insolito e de impostura, a arbitrariedade como regra oculta, identifico-me com as personagens que variam entre o niilismo e o materialismo, ainda que nunca serei um deles, onde estou, sei que estou a mais, sou afectado, nao sou natural, os meus gostos sao claros mas é o unico que tenho claro
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
The tongues of dying men
Casa
Estou cansado, esgotado, o sofrimento passou a ser a unica casa a que regresso com alguma regularidade. Para fingir-me vivo. Como se me soubesse morto.
domingo, 7 de agosto de 2011
Portnoy's Complaint
Curso intensivo de Yiddish. Um proposito moral gratificante. Transtorno hibrido de. Culpa e antropomorfismo judeu, guerra de classes e outras sombras. Fauna: quem vence e quem esta vencido. Castraçao, temor ao castigo, complexo de Edipo. A importancia do coito oral. Retorcer a vida por todos os seus lados culpabilizando-a ate ao fim.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
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