quarta-feira, 27 de maio de 2009
Camarilla
Escrever como Isaiah Berlin falava às massas e Foucault destroçava livros tem sido um fracasso, e um fracasso é um fracasso, uma chaga para nos lembrar o lugar, um sismo escala nove que não deixa nada como antes. Há quem nasça para isto e há os que vêm ao mundo para se babarem no jardim publico. Somos pó dos modernos e vivemos de experiências ambíguas, em que a vida joga-se toda deste lado e nada do outro, que mais dizer, isto é uma coisa terrível e de carpir magoas em cada post, e como Brecht e Judas Iscariotes acabamos a insultar a criação e um insulto à criação – já se sabe – não apanha distraído nem a Deus nem ao site-meter, que isto de fazer pouco das leis do universo, pedantismo em larga escala e name-dropping é para levar com o pau cósmico da criação todos os dias, mas este não é o motivo que me move a escrever, o que eu quero saber, e que me desunho para descobrir, o que eu me pelo por conhecer, é se posso fazer o recenseamento aqui em Espanha. Não o fiz em Portugal, jamais votei na minha vida, e, vaya, estoy lleno de ganas para me desvirginar numa dessas urnas que abundam por aqui, enterrar o papelinho e entregar o meu cobiçado apoio a uma dessas camarilhas onde a escumalha se esconde
Como explicar às massas
O primeiro ano a pagar impostos. Uma aleivosia. Nao ha chesterton que nos salve
sexta-feira, 22 de maio de 2009
quatro paredes
Platon Karataiev
Cada vez estou mais convencido de viver numa sociedade tolstoiana e só os mossos d’esquadra me impedem de romper as pernas a um ou outro blogger. Estou certo e seguro por quimera literária personificar platon karataiev, ainda que sem cão nem aforismos populares, mas de lista negra à trela – uma listazinha com nomes ordenados por ordem alfabética e generosamente acompanhados de medonhas sevicias
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Justiça
Fosse o gosto estético matéria de escrutinio nas urnas ou de justiça popular seria unânime, uma maioria absoluta para que não haja equívocos: o lugar de um qualquer solzhenitsyn é mesmo a partir pedra
Desenvolvimento
Esse pais converteu-se todo ele em classe media-baixa por decreto e à força de betão, já tem asfalto e banda larga mas continua tão analfabeto como há 50 anos. O país sabe ler e escrever – ninguém o para em sms’s – mas para efeitos estatísticos e plantar cara nos areopagos internacionais
Uma metáfora do nosso desenvolvimento
Uma metáfora do nosso desenvolvimento
terça-feira, 19 de maio de 2009
Do egoismo II
Ha muito que este blog caiu na abjecçao, e como as coisas andam, de mal a pior, aquilo que o alimentou corre o risco de seguir caminho igual. Isto seria uma sandice inocua nao fosse eu, alma sensivel, adivinhar espectaculo tenebroso da livralhada em rumaria para lixeira municipal. Isto é de partir o coração ver as chamas a devorarem com igual desfaçatez um Paulo Coelho – tinha 17 anos – e um Bergson
Do egoismo I
Hesse diz que os espinhos da vida sao relativos e a medida justa de cada homem mas como principio orientativo nao serve para nada, porque ninguem toma como padrao a miseria dos outros. O suicidio para alem das maleitas escritas em pedra - porque nao acaba numa perda de identidade, nem na angustia, nem no culminar de um desaire - é todo um idealismo, um desvio a posteriori e uma declaraçao umbiguista, uma tragedia com codigos proprios e que cobra sentido na cabeça de quem o articula. Stendhal ilustra-o como o copo de agua gelada ministrado a um desgraçado que morre de calor e sede no deserto, uma alegoria que nao satisfaz para o alivio que traz a morte e a luta entre dois fins indesejaveis. O alivio é desejado mas nao aquilo que o acompanha. Mas ela é igualmente feita de uma narrativa posterior, o suicida nao morre com a morte clinica e prossegue findado o diluvio naquilo que fez e deixou, e portanto, a luta desenrola-se entre um presente inexequivel e um futuro em que se esta ausente para o tornar exequivel seja o que for. É o equilibrio inutil entre a suspensao do egoismo e o sacrificio. Uma guerra sem redençao nem quartel
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Mea Culpa
Ha criaturas assim, nao mais do que um conceito e uma caricatura. Uma menoridade voluntaria e solipsista como testemunho do regabofe dos ceus do nosso azar. Nao é sem pejo que declaro a minha culpa e com satisfaçao o seu fim ja aqui antes de por um ponto final. Aquela frase de Stendhal sobre a implacavel vantagem da nobreza face a plebe - que aplacados pela fortuna dispensariam a todo momento ajuizar sobre a sua subsistencia - temo bem a mais das vezes não fazer sentido. Vede atentamente oh canalha sem titulo heraldico
segunda-feira, 11 de maio de 2009
a tirania da opiniao III
E afinal o que significa isto? Oiço a voz tonitruante e resignada da consciencia. Muito justamente resignada que a mais das vezes as perguntas não tem respostas mas servem o torpe proposito de enganar as circunstancias. Não se trata de pudor moral, mas de pudor estetico. Instinto de sobrevivencia. Prossigo. A historia é a mais terrivel invenção, obra como uma divindade e roi a vontade humana, diz Mishima - e quem sou eu para contrariar o mestre. Esse buliçoso retrato da condição humana é o eterno retorno de Nietzsche, ha factos irreversiveis e imutaveis e que mais importa reafirmar que o homem é o homem e a sua circunstancia? Uns despejam alcatrao outros escrevem estrofes. Ha privilegios de classe e ha certezas inatacaveis. E o resto? O resto serve para não afundar nessa crueldade a que a canalha chama realidade
sexta-feira, 8 de maio de 2009
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