sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"Império" I

Ando literalmente às voltas com o “Império” de Hardt e Negri. De norte a sul, e de sul a norte com o alto-patrocinio da CP. Estou rigorosamente na página 184. Pondo de lado um sub-capitulo praticamente no inicio onde o leitor lamenta não falar a língua que para o caso até podia ser o cantonês o livro é acessível. Mas o império vive de abusos, e tortura paulatinamente o leitor até à loucura com a lógica ilógica de que o indivíduo atolado na multidão o que quer mesmo é pôr um fim aos grilhões que o prendem à mecânica das escadas do poder. O poder nunca é total e vive de compromissos esteja o súbdito aos pés do autocrata ou à mesa do democrata. O poder não vive na estratosfera celeste de onde entre raios e trovões faz “politica” e ordena a sociedade. Tal poder não é político mas divino. Neste reino o poder é mediado, circula horizontal e verticalmente. Mas o império anda nas fronteiras entre o delírio e a lucidez. Na estrada amarela onde Alice meet Negri as muralhas espessas que separam a tirania do soberano que escala ao poder no meio de cadáveres e a tirania do soberano que sobe ao cume entre sufrágios desfazem-se a golpes de retórica. Para Negri tudo é politica e nada é politica, e é assim que deve ser celebrada, desde o amanhecer até ao crepúsculo, num frenesim totalitário. O papel das tiranias partilhadas é justamente retirá-la das nossas vidas. A politica no seu sentido estrito serve para separar a sociedade do estado. Onde não existe o processo politico de partilhas tudo é politico porque nada é politico. Onde não há a democracia formal tudo o que acontece diz respeito a quem está no poder uma vez que tudo representa para este uma ameaça potencial. De Cuba ao Paquistão os súbditos são todos escravos da ausência de um processo de partilhas de planos de poder e todos - sob estrita vigilancia - são a derradeira ameaça.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Life goes on

O Nuno castro pede na caixa de comentários abaixo varapau no lombo. Lamento, mas vou declinar a oferta. Lombo esta semana só no forno e acompanhado por bom vinho.

Prometo-lhe contudo uma tareia medonha no dia que me cruzar com ele na rua. Um dia trágico para o casarão das letras lusas que verão o Nuno a escrever só depois de muita terapia em alcoitao, que isto quando dá porrada é como o chuck norris, com muitas piruetas e saltos mortais.

Enquanto o dia não chega vamos lendo, rindo e debatendo. Lança de lá o Nuno, tomado pela cólera: Nós conhecemos o arrazoado: os génios incompreendidos gostam muito de montar o circo do misantropo. E depois, o que é um jihadista convicto ao pé de um DLM galvanizado? Preparem as paragonas, porque o próximo Colombine vai ser algures entre Santa Maria da Feira e Vigo!

Nuno, sou individualista, hedonista, misantropo. Estou me marimbando de facto para a humanidade. Parte significativa da humanidade que eu conheci nunca mereceu me mais do que um escarro, no dia que se tornarem um nadinha mais humanos trato da papelada e converto-me em membro da espécie, até lá continuarei escrupulosamente liberal anarka. Cedo, não tenho nada contra os indivíduos, tenho tudo contra a multidão. Conheci em primeira-mão, na primeira pessoa, o género humano na sua forma colectiva, quantitativa e numérica, fundamentalmente ignorante, espessa na intolerância, primária na essência, a multidão não gosta de palavras complicadas, pensamentos elevados. Ponham um indivíduo no meio da turba e será imediatamente imbecilizado. O homem que se perde na horda recua à infância.

Como bom centurião marcho por uma causa. A minha causa. Bellum omium contra omnes. Na Alemanha nazi, na união soviética, no afeganistão pré-nato, acabaria fuzilado ou enforcado. Não gosto de ser fuzilado ou enforcado. Sou alérgico ao chumbo – ao que parece em excesso mata – e a corda ao pescoço é desconfortável. Não sou eu que procuro o conflito com a turba. A filhadaputagem persegue-me – permitam-me a demagogia. Convenhamos que o que foi, é, e será publicado na revista ou aqui na tasca trás a marca irascível dos velhos centuriões. Bárbaros no campo de batalha, urbanos na intimidade. Por detrás de um artigo de opinião ou postal, qualquer um é capaz, sozinho, ao pé-coxinho e com um braço engessado enfrentar o exército huno. Na vida privada, longe do teclado, fujo do conflito como se corresse para um lugar no pódio ou por uma medalha ao peito. A minha honra é vossa, façam dela o que vos aprouver.

Quanto a mais, aguardo a chegada do bacilo. A biblioteca está apinhada de gente, e a mais, hoje, é impossível comer do bom e a bom preço sem ter de abdicar da civilização. Se isto não é crime para lesar a pátria, ao menos, garantidamente, vai me lesando a paciência.

PS haja esperança, gente amante da humanidade, sócrates reúne-se hoje com o professor karamba, quando já se tinha reunido com o joe índio há dias, e está prestes a faze-lo com o chef do south park

PS 2 parece que não vai haver uma próxima na atlântico, suspeito que disse algum ofensivo no quagmire que foi o blog na ultima semana. Prometo penitenciar-me com uma ida a pé a fátima, de joelhos se for preciso, ou caso seja para isso, a beijar o pó. Se rezar o terço e acender uma vela em fátima não chega, então não esperam pela demora, levam com 6, 7, 20 postas com conteúdo para maiores de 18 – parental advisory explicit content. A Cancio, que ultimamente passa dias seguidos na horizontal e que disse deste escriba há um mês o que o ursinho de peluche sudanês não disse do toucinho, é bom que se vá preparando para me beijar os pés – ela que saiba que não os lavo há uma semana.

PS 3 o ps2 enferma por todos os lados como é obvio de hipeboles

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Shit happens - cest la vie

Leiam isto e isto. Um dia destes sou capaz de lhes destruir o estabelecimento - até lá vou cuspindo nas paginas do "imperio" de negri e hardt - muito ao gosto dos bandalhos

Acabei de ler Lectures on the philosophy of world history. Uma estopada que nao aconselho ao pior dos meus inimigos. Embora tenha uma vontade secreta de espancar o joao galamba até à invalidez.

Case closed, hegel andava no cavalo